[Português]

Parte 1

A cidade já estava em ruínas quando saímos do escritório no dia do apocalipse zombie.

Ouviram-se gritos e grunhidos enquanto estivemos escondidos e encolhidos na arrecadação do prédio à espera de ajuda.

Quando a ajuda não chegou, decidimos relutantemente sair à rua.

Havia colunas de fumo no horizonte, carros a arder e vidros partidos pelo chão.

Mas aquela parte da cidade parecia estar tranquila naquele momento.

O chefe do nosso departamento sugeriu procurarmos por um carro abandonado para sairmos do centro da cidade.

Parte 2

Como estávamos habituados a que ele nos desse ordens, assentimos com a cabeça.

Quando ele nos informou que tinha encontrado uma carrinha de portas abertas,
corremos todos na sua direção, excitados.

Afinal de contas, até havia boas razões para ele ter sido promovido a chefe.

Parte 3

Quando já estávamos todos sentados a ocupar os quatro lugares da carrinha,
o nosso chefe de departamento apercebeu-se de que as chaves não estavam na ignição.

Parte 4

Atabalhoadamente, começámos todos a procurar as chaves.

Procurámos dentro do porta-luvas, debaixo dos tapetes, debaixo dos bancos, mas não encontrámos nada.

Parte 5

Nesse momento, a secretária do chefe de departamento esticou um dedo e colou-o ao vidro da carrinha com os olhos muito abertos, como se tivesse visto alguma coisa assustadora.

Seguimos todos a linha invisível que ligava o seu dedo àquilo que estava a ver.

Lá fora um zombie de roupas rasgadas, arrastava-se pela rua a rosnar baixinho.

Parte 6

Ficámos todos em silêncio, paralisados, com medo que ele nos visse ou ouvisse.

Mas o chefe de departamento disse para não nos preocuparmos.

Os zombies não só eram historicamente muito estúpidos como não saberiam abrir a porta de um carro.

Além disso, eram extremamente lentos.

Por isso, se ficássemos quietos e calados, não haveria problema.   

Ele iria embora.

Parte 7

Foi nesse momento que o zombie meteu uma mão contorcida num bolso sujo e tirou de lá a chave de um carro.

Abanou-a suavemente no porta-chaves e olhou para nós.

Depois esboçou um sorriso de dentes podres.

Finalmente, começou a correr na direção da carrinha como se fosse campeão olímpico de atletismo.

Parte 8

De todos os gritos que soaram abafados dentro da carrinha, o do chefe de departamento foi o mais alto.

[Tradução]

Part 1

The city was already in ruins when we left the office on the day of the zombie apocalypse.

We heard shouts and grunts while we were hiding, curled up in the building’s storage room waiting for help.

Since help didn’t come we decided reluctantly to get out into the street.

There were columns of smoke on the horizon, cars burning, and shattered glass scattered on the ground.

But that part of the city we were in seemed serene at that moment.

The head of our department suggested that we search for an abandoned car to get away from the city centre.

Part 2

Since we were used to him giving us orders, we nodded our heads.

When he informed us that he had found a van with its doors open, we all ran in his direction, excited.                                         

After all, there were good reasons why he had been promoted to chief.

Part 3

When we were already sitting down taking up the four seats in the van, our head of department realised that the keys were not in the ignition.                                             

Part 4

Frantically, we all began looking for the keys.

We searched in the glove compartment, under the rugs, under the seats, but we found nothing.

Part 5

At that moment, the secretary of our head of department pointed her finger and stuck it against the van’s window with her eyes wide open, as if she had seen something frightening.

We all traced back our line of sight to what her finger was pointing to.

Out there, a zombie with ripped clothes dragged himself along the street growling softly.

Part 6

We were all in silence, paralysed, fearing he would see or hear us.   

But the head of department said not to worry.                                         

Not only were zombies historically very stupid,
but they also wouldn’t know how to open a car door.

Besides that, they were extremely slow.

That is why, if we remained quiet and silent, there would be no problem.

He would go away.

Part 7

It was in that moment that the zombie put his deformed hand in his dirty pocket and took from it a car key.

He waved it gently in the keyring and looked at us.

Then, he cracked a smile with his rotten teeth.

Finally, he started running in the direction of our van as if he was an Olympic athletics champion.

Part 8

From all the screams that were let out muffled in the van, the head of department’s was the loudest.